Paris: tem dias que a maré não está pra turista

A França é o país mais visitado do mundo, em boa parte devido a Paris.

Todos os pontos turísticos da Cidade ficam repletos por visitantes todos os dias da semana, sem exceção. Até mesmo o Museu do Louvre nos dias de terça feira, quando não abre para visita interna, está sempre repleto do lado de fora.

Pode-se assumir que sempre haverá fila para entrar no Louvre, na Catedral de Notre Dame, e na Torre Eiffel, que são, afinal de contas, as grandes atrações de Paris. Também pode-se esperar ter que pagar para ter acesso a maioria das coisas pois, obviamente, tudo precisa de manutenção.

Contudo, tem dias em Paris nos quais você tem que estar com muito bom humor para não perder a paciência…

Sim, é compreensível que ela seja a capital do país, onde se sedia o governo, e que possa estar em estado de alerta por causa de alguns atentados terroristas ocorridos, mas não é só isso.

Também é muito compreensível que não somente algumas coisas fechem para reforma, mas que a cidade inteira esteja em reforma constantemente, o que acaba com suas lindas fotos. Mas também não para por aí, e as situações vão se acumulado.

No dia 14 de maio, um domingo, o Museu Pepit Palais foi fechado ao público sem aviso prévio — pelo menos não no site oficial, e não até o dia anterior. A justificativa é que estava havendo um evento interno.

No dia 3 de junho, um sábado, os visitantes e os fieis presentes na Igreja Saint Etienne du Mont foram conduzidos apressadamente à saída ao meio dia porque ela iria ser fechar.

Nos dias 13 e 14 de julho houve a visita do presidente americano Donald Trump a Paris, e vários pontos turísticos foram interditados ao público por causa disso. Dia 14 é também o dia da Bastilha, um feriado francês. A comemoração deste ano foi na Torre Eiffel. Alguns pontos foram interditados por lá para montagem de palco e grades de segurança, que permaneceram por lá por alguns dias.

Dia 16 de julho, um domingo, todo o perímetro das margens do Rio Sena que rodeiam a Ilha Aux Signes, incluindo a Ponte de Bir Hakeim (que é um ponto turístico muito frequentado), foram fechados por várias horas por policiais e soldados armados sem explicação aparente. Muitas horas depois ficamos sabendo que foi por causa de um almoço do presidente francês Emmanuel Macron numa pequena parte da Ilha.

Dia 23 de julho, um domingo, foi a final do evento ciclístico Tour de France 2017, e para tanto uma área gigantesca englobando o Arco do Triunfo, a Avenida Champs Élysées e o complexo do Louvre foram cercados. Quem desejava circular por lá por qualquer motivo tinha os pertences revistados, e deveria descartar o que tivesse bebendo, incluindo garrafinhas de água. Foi justificado que era para evitar que objetos fossem lançados nos ciclistas.

Hoje, dia 02 de agosto, quarta feira, realmente não foi o dia do turista…

No Monumento Memorial dos Mártires da Deportação, os visitantes estavam sendo orientados que não poderiam usar as fotos tiradas no local para nenhuma publicação, somente para arquivo pessoal. Não é compreensível que um local turístico, aberto ao público, não possa ter fotos divulgadas, principalmente nos dias de hoje, com a popularização da internet e das redes sociais. Principalmente tratando-se de um lugar tão simples, pelo menos em comparação a tudo que tem em Paris.

Pouco depois, ao tirar uma foto de uma vitrine de um restaurante italiano pela calçada, fui questionada do porquê por uma pessoa que saiu do interior do estabelecimento.

Às 14 horas a Igreja Saint Julien le Pauvre estava trancada, sem nenhum aviso de horário de funcionamento.

Em seguida fui proibida de tirar foto na livraria Shakespeare and Company. Essa aqui foi a situação que mais me incomodou hoje, por vários motivos: primeiro porque é um lugar público; segundo porque tomei conhecimento do estabelecimento via fotos em redes sociais; terceiro é que já vi oferta de pacotes fotográficos que podem ter a livraria como locação; e por último, mas não menos importante, o lugar é simplório! Não passa de um simples sebo.

Pra completar o dia, na entrada da Grande Mesquita de Paris, somente eu fui abordada e tive o ticket de entrada de visitante cobrado. Da próxima vez irei com um lenço na cabeça e entrarei como todo mundo entrou. Um fato curioso é que das duas garotas que estavam pouco à minha frente, somente uma entrou, a outra que tinha o cabelo verde ficou na rua.

Esses eventos que podem parecer coisa de turista mimado, esporádicos para uns ou subjetivos para outros, são preocupantes porque têm o potencial de estragar qualquer passeio. Talvez até mesmo a viagem daqueles que têm poucos dias na Cidade e ficarão privados de ver algum lugar especial.

Contudo, se estiver vindo para Paris, tenha essas coisas em mente: mesmo com muito planejamento, você pode ser pego de surpresa. E lembre-se que a Cidade tem milhões de coisas para se fazer! Então, não deixe um Trump atrapalhar o seu dia!

Mesmo com tudo que ocorreu hoje, ainda encontrei duas fontes, dois pquenos parques e uma igreja (que eu não tinha conhecimento da existência até eles surgirem à minha frente), além do Parque das Plantas e do Museu de História Natural… Então, lembre-se do livro de Ernest Hemingway, Paris é uma festa.

Fotos de hoje:

 

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