Paris: transporte – como se deslocar sem medo

Este é o terceiro post de uma série de 4 artigos sobre o que eu desejaria já estar sabendo ao chegar na França

Apesar de parecer ser uma lista pessoal, ela pode ser útil para aqueles que vêm para ficar ou passear por aqui.

O primeiro tópico foi Paris: Generalidades – o que é bom saber antes de embarcar.

O segundo foi Paris: gratuidade, preços e como esticar o dinheiro e o tempo

Então, vamos logo para o terceiro texto porque ele é longo:

 

Paris: transporte – como se deslocar sem medo

Esse tópico não será fácil, nem para escrever nem para ser lido, mas não deixe de lê-lo com carinho porque ele pode ser muito útil.

 

A primeira dica é imperdível para todos os viajantes para qualquer lugar do mundo:

Google Maps

A dica de ouro é habilitar o aplicativo para funcionar offline! Sim isso é possível!

Se você for viajar para qualquer lugar, tendo ou não conexão de internet ou telefonia, os Amorecos recomendam imensamente que antes de tudo, quando estiver online, entre no aplicativo, procure o lugar para onde está indo, abra o mapa selecionando toda a extensão por onde passará, para ter margem de segurança, um pouco mais além. Não muito mais senão fica pesado para acessar posteriormente. Depois, entre no menu (aquelas barrinhas horizontais no canto superior à esquerda), escolha a opção mapas offline, e selecione seu mapa. Abrirá uma janela solicitando a área que será salva. Verifique se é realmente o que deseja e confirme.

Assim poderá usar o Google Maps nessa região salva sem necessidade de estar conectado à internet nem estar com chip funcionando no celular.

O app já vem configurado para atualizar automaticamente, desse modo, sempre quando há alteração nos trechos salvos em offline, elas são atualizadas toda vez que o seu aparelho de celular está online.

Apesar de o aplicativo receber muitas críticas, principalmente quando se trata de horários dos transportes sugeridos (até porque os meios de transporte não costumam respeitar os próprios horários), ele é relativamente confiável, por isso o Google Maps é o principal orientador dos Amorecos.

 

Transporte público na área metropolitana de Paris

Antes de mais nada, só vamos esclarecer que metrô, trem e bonde têm diferenças técnicas, mas não importa agora para gente porque na prática, para o usuário, é irrelevante pois todos andam em trilhos e têm vagões. Assim, vamos chamar aqui todos de metrô para simplificar.

Talvez seja bom saber que na região metropolita de Paris o trem é conhecido por RER e suas linhas utilizam letras maiúsculas (de A a E), o metrô é indicado por um “M” e suas linhas utilizam números (de 1 a 14), e o bonde pela letra “T”, também utilizando números nas linhas, só que esses são indicados em bolinhas brancas com escrita de cores diferentes, enquanto a bolinha das linhas do metro são totalmente coloridas e os números estão em branco ou preto.

Amorecos na Zoropa

Quase todas as linhas se cruzam em pelo menos algum ponto, menos as dos bondes, que trafegam somente fora de Paris e em muito menor número. Com exceção do bondinho de Montmartre, que basicamente é para subir e descer o morro.

Continuando, a França está muito bem equipada com sua extensa rede de transporte público, apesar de ter seus problemas, pois, como em qualquer cidade grande, é inevitável os temidos horários do rush, constates reformas, entre outras coisas. Mas a frequência é excelente tendo uma nota geral de satisfatória a muito boa.

É a escolha de quase a totalidade dos morados e dos turistas. Mas o metrô não funciona a noite toda! Eles param da 01 às 5:30 da manhã, quando algumas linhas de ônibus circulam para atender a pouca demanda.

O que se deve saber é que a rede pública é utilizada por meio de um bilhete ou um cartão chamado Navigo. E é extremamente importante os usuários mantê-los o tempo todo, pois há necessidade de validação no leitor na entrada, E NA SAÍDA, de cada ônibus ou catraca na estação de metrô. Ou seja, o mesmo bilhete ou cartão que foi usado para embarcar, também deve ser usado para desembarcar! Algumas estações são muito grandes e podem ter mais de uma catraca para sair, obrigando que o bilhete seja usado mais de uma vez até que se chegue à rua.

As multas para quem usa o transporte público sem passe são as mais caras e devem ser pagas no local para o fiscal. Não importa se o usuário pagou pelo transporte, o que importa é se consegue provar que usou corretamente! E o fiscal tem como saber se o bilhete e ou o Navigo foi usado adequadamente naquele trajeto e horário que eles estão fiscalizando. Os fiscais andam em bando e são muito eficientes e agressivos, se precisar.

O bilhete e o cartão são vendidos nas estações de metrô, podendo ser comprados com dinheiro ou cartão de crédito. As máquinas de autoatendimento têm a opção de línguas variadas inclusive inglês, mas não português. Tem uma opção de bilhete que pode ser comprado com dinheiro diretamente com o motorista do ônibus, mas não no metrô.

Nas estações e nos aeroportos, são distribuídos gratuitamente folhetos com mapas e informações diversas sobre transporte público, quase sempre em francês, inglês e espanhol.

A região metropolitana de Paris é chamada de Île de France e é dividida em regiões chamadas de zonas, sendo Paris a zona 1, o perímetro em volta é a zona 2, é assim sucessivamente até toda a Île de France, que é a Zona 5. É como se fosse um alvo, com a zona 1 no centro e as demais zonas em direção às bordas. Para ter noção de distância, o Aeroporto de Orly está ao sul da zona 4, e na zona 5 estão o Aeroporto Charles de Gaulle, ao norte, e a Disney Paris, ao leste. E o transporte tem muitas variações de opções e preços de acordo com essas zonas.

 

Bilhete

Os preços dos bilhetes são variados, muito variados.

O mais baixo é 1,90 Euros para trajeto dentro da zona 1. Mais viável por quem está dentro de Paris e vai usar pouco o transporte público. 10 bilhetes são vendidos por 14,90 Euros.

Uma opção muito boa para quem faz conexão pelo Aeroporto Charles de Gaulle e deseja aproveitar somente algumas horas em Paris é comprar o bilhete diário, com viagens ilimitadas, de acesso às zonas 1-5, por 17,80 Euros. Dá para sair do Aeroporto, ir para Paris, ir ao Arco, à Torre Eiffel, Sacré Cœur, e aonde mais o tempo permitir, e voltar para o Aeroporto com um único passe.

Tem uma modalidade chamada Paris Visite Travel Pass, custa 38,35€ (zonas 1-3) e 65,80€ (zonas 1-5), com transporte ilimitado por 5 dias, mas com o diferencial de dar descontos em alguns lugares, como Arco do Triunfo, Pantheon, Museu (de Cera) Grévin, Galerias Lafayette, Open Tour, entre outros. Se for aproveitar boa parte dos descontos, o ticket pode sair de graça.

De modo geral, o bilhete tem o inconveniente de ser facilmente perdido por ser pequeno. Assim, tem que ficar atento com cada bilhete que está sendo usado para não o perder nem o misturar com bilhetes velhos ou novos. Também, gasta-se um tempo considerável nas filas para comprá-los, que dependendo do dia e da estação, pode ser muito longo.

Não dá para deixar de mencionar, apesar de ser muito raro, mas pode acontecer, da máquina comer o bilhete e não devolvê-lo. Se isso ocorrer numa estação que não tem funcionário para ajudar, que é o mais provável, costuma ter um painel com um interfone que deve ser acionado para falar com alguém para liberar a catraca.

 

Navigo

É o queridinho!

É um cartão plástico, pessoal e individual, e deve ter uma foto do usuário, caso contrário pode gerar multa se for pego pelo fiscal.

Somente para aquisição do cartão paga-se 5 Euros. Tem o inconveniente de não ser retornável, como ocorre com o de Londres.

Quando com o cartão, tem-se algumas opções diferenciadas de habilitação para uso, as mais comuns para as zonas 1-5 são a semanal (22,80 Euros) e a mensal (75,20 Euros), pois dão direito a transporte ilimitado para a zona que foi habilitada.

A opção diária também pode ser disponibilizada, mas custa 17,80 Euros. Financeiramente pode não valer à pena, uma vez que dois dias fica mais caro que um semanal mais o preço do cartão.

O cartão é sempre o mesmo! Simplesmente pode ser habilitado sucessivamente de formas diferentes de acordo com a conveniência de cada usuário.

Para quem vai fazer estadias longas, vale muito à pena optar pelo Navigo anual, pois ganha-se um mês por ano.

No mais, a opção mensal só vale para dentro de cada mês. Sempre do dia primeiro ao último dia. Começa a ser habilitado a partir do dia 20 do mês anterior.

Já o semanal vale de segunda a domingo e começa a ser habilitado nas sextas.

Amorecos na Zoropa
máquina de auto atendimento para compra de bilhete e recarga do cartão
Amorecos na Zoropa
máquina de auto atendimento para tirar foto

Vale ressaltar que se o passe é para uma zona, o usuário consegue entrar em qualquer estação dessa zona, mas não conseguirá sair em outra zona que não esteja habilitado se por acaso precisar. A catraca ficará travada. E vice-versa! Não é permitido a entrada em uma estação fora da zona habilitada no passe, na prática se presencia isso, diariamente! Pessoas lutando com passe que não abre a catraca.

Contudo, o passe do cartão Navigo das zonas 1-5, costuma valer por muito mais além que somente dentro da zona 5, deixando ter acesso (ida e volta) a alguns trens que saem dessa área, e até mesmo ônibus utilizados muito muito além. Apesar de não haver indicação disso no metrô de Île de France, a prática é legal e não multada. Por exemplo, com o Navigo pode-se ir até Chantilly, que está há mais de 20km ao norte do Aeroporto Charles de Gaulle, que por sua vez é o último ponto ao norte da zona 5.

Orlyval é a linha que liga o Aeroporto de Orly a 5 diferentes pontos na Île de France, e ela sempre tem que ser paga à parte, com valor variado dependo da distância do ponto e o Aeroporto.

 

No metrô

É muito fácil para o brasileiro, principalmente aquele que não entende o francês, cometer algumas “infrações” no metrô. Para evitar constrangimentos e perda de “eurinhos” valiosos, não passe em sentido contrário se uma catraca estiver estragada ou quebrada. E cuidado com a sinalização do lugar! Apesar de serem poucas as estações que têm indicação de sentido único, ele deve ser respeitado.

Se alguém está fazendo algo não quer dizer que é permitido, como fumar nas estações ou levar bicicleta para dentro do metrô.

Principalmente, de forma alguma esqueça objetos no metrô! Pode dar multa e muita dor de cabeça! Paris está em estado de alerta por causa dos últimos atentados e quando um objeto é encontrado, há uma grande chance de a estação ser fechada e o esquadrão antibomba ser acionado.

 

A linha 1 é a linha do turismo dentro de Paris, cortando a cidade de leste a oeste. Ela passa pelo Arco do Triunfo e pelo Louvre, entre outros pontos, mas não na Catedral de Notre Dame e nem na Torre Eiffel.

Os nomes das estações costumam fazer referência a algo nas proximidades.

Geralmente quase toda estação tem mais de uma porta, chamadas em francês de “sortie” (saída), apesar de poder ser saída e entrada. Porém, algumas estações são monstruosas e tem muitas portas, muitas vezes a quilômetro de distância uma da outra. Então, se não quer ter estresse gratuito, não marque encontro nas estações e não use uma estação como referência. A estação de Saint-Michel – Notre Dame por exemplo, entre muitas de suas portas, duas delas são perto da Catedral (sendo uma só saída, se quiser entrar tem que ir para outra porta), outra é perto da Fonte Saint-Michel (a dois quarteirões, do outro lado do Rio Sena) e outra é perto do Museu de Cluny, a uns 700 metro de Notre Dame! Sem vestígio da Catedral nas proximidades!

Amorecos na Zoropa
Estação de Luxemburgo vista de cima
Amorecos na Zoropa
catraca
Amorecos na Zoropa
detalhe da catraca com lugar para inserir o bilhete ou encostar o Navigo
Amorecos na Zoropa
placa de indicação de fluxo, linhas e direções na estação de Chatelet – Les Halles
Amorecos na Zoropa
painel com indicação de paradas que o próximo metrô irá fazer
Amorecos na Zoropa
painel acima das portas, dentro dos vagões do metrôs

Gostaríamos de concluir o tópico metrô de Paris com algo mais positivo, mas, infelizmente, não dá para deixar de falar algo ruim: há uma chance gigantesca de você ficar perdido no metrô. Porque as estações são imensas; cada uma é de um jeito; as portas dos vagões podem abrir de lados diferentes num mesmo sentido, dependendo da estação; a sinalização pode estar desatualizada; sempre há obras e às vezes tem que passar por uma plataforma para chegar à outra ou uma saída!!!

Se isso ocorrer, fica frio! Se está dentro de um vagão, olhe o painel acima da porta, onde indica as estações onde esta linha tem paradas, procure a estação que há ligação com a linha que você deseja ir e desça nela. Mais informação num post completo no futuro, por que esse tema vai render bastante.

 

Trens de alta velocidade

Para finalizar o tema do transporte coletivo, vale citar os trens de alta velocidade que ligam Paris a lugares mais distantes em todos os sentidos, inclusive outras cidades de outros países como Londres, Amsterdã e Lisboa. Pode-se viajar por toda a Europa por meio de trens. A característica deles é um trajeto relativamente rápido apesar da distância entre os pontos, não tendo ou quase não tendo escalas.

Costumam ter uma relação custo X benefício X tempo bem mais atrativa que avião.

Na França também há umas estações chamadas TGV que são espécies de ferroviárias, com linhas mais específicas, atendendo pontos mais distantes.

 

Taxi e Uber

Esses dois também são ofertados. Mas os preços não são baratos e pode gastar bastante tempo agarrado no trânsito, dependendo para onde vai.

Qualquer trecho em Paris de metrô é mais rápido que qualquer veículo automotor de superfície, em quase todos os horários.

Os taxistas podem não aceitar transportar passageiros no banco da frente. Muitos deles estão adaptados para não transportar nada nesse banco. Então, pode não ficar viável para mais de 3 pessoas.

As poucas vezes que os Amorecos utilizaram um e outro foi bem tranquilo, bons motoristas com carros muito bons e confortáveis. Vale mencionar que quando chegamos e não falávamos quase nada de francês, ambos foram muito úteis, com motorista que se esforçaram bastante para comunicar e nós entender.

 

Transportes alternativos

As outras opções são carro de aluguel, inclusive de autoatendimento e elétrico, bicicletas, patinetes, trenzinho de Montmartre, entre outras.

 

No mais, esperamos ter ajudado. Se não, seguem alguns links de sites oficiais franceses que trazem mais informação e que vale muito à pena ser amplamente analisados porque há até opções de transporte gratuito e tarifas reduzidas para algumas categorias, tipo para estudante, e por idade, por exemplo:

Site de uma das empresas que gerência o transporte público na França, com horários, tráfico, informações práticas e gerais, preços, guias para download… (também em português):

https://www.ratp.fr/en/visite-paris/do-brasil/visitando-paris-e-seus-arredores

Valores e categorias de Navigo e bilhetes (em francês e inglês):

http://www.navigo.fr/je-choisis-mon-forfait/tous-les-titres-de-transport/

Trechos além da Île de Frances cobertos pelo Navigo (em francês e inglês):

https://www.vianavigo.com/accueil

Sobre o Paris Visite Travel Pass:

https://www.ratp.fr/en/titres-et-tarifs/paris-visite-travel-pass

Orlyval (em francês):

https://www.orlyval.com/

 

Qualquer dúvida, estamos aqui!

Abraço dos Amorecos!

Amorecos na Zoropa
Amorecos no Metrô

 

Próximo e último texto dessa série:

Paris: como economizar com comida

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3 comentários sobre “Paris: transporte – como se deslocar sem medo

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