Paris: transporte – como se deslocar sem medo

Este é o terceiro post de uma série de 4 artigos sobre o que eu desejaria já estar sabendo ao chegar na França

Apesar de parecer ser uma lista pessoal, ela pode ser útil para aqueles que vêm para ficar ou passear por aqui.

O primeiro tópico foi Paris: Generalidades – o que é bom saber antes de embarcar.

O segundo foi Paris: gratuidade, preços e como esticar o dinheiro e o tempo

Então, vamos logo para o terceiro texto porque ele é longo:

 

Paris: transporte – como se deslocar sem medo

Esse tópico não será fácil, nem para escrever nem para ser lido, mas não deixe de lê-lo com carinho porque ele pode ser muito útil.

 

A primeira dica é imperdível para todos os viajantes para qualquer lugar do mundo:

Google Maps

A dica de ouro é habilitar o aplicativo para funcionar offline! Sim isso é possível!

Se você for viajar para qualquer lugar, tendo ou não conexão de internet ou telefonia, os Amorecos recomendam imensamente que antes de tudo, quando estiver online, entre no aplicativo, procure o lugar para onde está indo, abra o mapa selecionando toda a extensão por onde passará, para ter margem de segurança, um pouco mais além. Não muito mais senão fica pesado para acessar posteriormente. Depois, entre no menu (aquelas barrinhas horizontais no canto superior à esquerda), escolha a opção mapas offline, e selecione seu mapa. Abrirá uma janela solicitando a área que será salva. Verifique se é realmente o que deseja e confirme.

Assim poderá usar o Google Maps nessa região salva sem necessidade de estar conectado à internet nem estar com chip funcionando no celular.

O app já vem configurado para atualizar automaticamente, desse modo, sempre quando há alteração nos trechos salvos em offline, elas são atualizadas toda vez que o seu aparelho de celular está online.

Apesar de o aplicativo receber muitas críticas, principalmente quando se trata de horários dos transportes sugeridos (até porque os meios de transporte não costumam respeitar os próprios horários), ele é relativamente confiável, por isso o Google Maps é o principal orientador dos Amorecos.

 

Transporte público na área metropolitana de Paris

Antes de mais nada, só vamos esclarecer que metrô, trem e bonde têm diferenças técnicas, mas não importa agora para gente porque na prática, para o usuário, é irrelevante pois todos andam em trilhos e têm vagões. Assim, vamos chamar aqui todos de metrô para simplificar.

Talvez seja bom saber que na região metropolita de Paris o trem é conhecido por RER e suas linhas utilizam letras maiúsculas (de A a E), o metrô é indicado por um “M” e suas linhas utilizam números (de 1 a 14), e o bonde pela letra “T”, também utilizando números nas linhas, só que esses são indicados em bolinhas brancas com escrita de cores diferentes, enquanto a bolinha das linhas do metro são totalmente coloridas e os números estão em branco ou preto.

Amorecos na Zoropa

Quase todas as linhas se cruzam em pelo menos algum ponto, menos as dos bondes, que trafegam somente fora de Paris e em muito menor número. Com exceção do bondinho de Montmartre, que basicamente é para subir e descer o morro.

Continuando, a França está muito bem equipada com sua extensa rede de transporte público, apesar de ter seus problemas, pois, como em qualquer cidade grande, é inevitável os temidos horários do rush, constates reformas, entre outras coisas. Mas a frequência é excelente tendo uma nota geral de satisfatória a muito boa.

É a escolha de quase a totalidade dos morados e dos turistas. Mas o metrô não funciona a noite toda! Eles param da 01 às 5:30 da manhã, quando algumas linhas de ônibus circulam para atender a pouca demanda.

O que se deve saber é que a rede pública é utilizada por meio de um bilhete ou um cartão chamado Navigo. E é extremamente importante os usuários mantê-los o tempo todo, pois há necessidade de validação no leitor na entrada, E NA SAÍDA, de cada ônibus ou catraca na estação de metrô. Ou seja, o mesmo bilhete ou cartão que foi usado para embarcar, também deve ser usado para desembarcar! Algumas estações são muito grandes e podem ter mais de uma catraca para sair, obrigando que o bilhete seja usado mais de uma vez até que se chegue à rua.

As multas para quem usa o transporte público sem passe são as mais caras e devem ser pagas no local para o fiscal. Não importa se o usuário pagou pelo transporte, o que importa é se consegue provar que usou corretamente! E o fiscal tem como saber se o bilhete e ou o Navigo foi usado adequadamente naquele trajeto e horário que eles estão fiscalizando. Os fiscais andam em bando e são muito eficientes e agressivos, se precisar.

O bilhete e o cartão são vendidos nas estações de metrô, podendo ser comprados com dinheiro ou cartão de crédito. As máquinas de autoatendimento têm a opção de línguas variadas inclusive inglês, mas não português. Tem uma opção de bilhete que pode ser comprado com dinheiro diretamente com o motorista do ônibus, mas não no metrô.

Nas estações e nos aeroportos, são distribuídos gratuitamente folhetos com mapas e informações diversas sobre transporte público, quase sempre em francês, inglês e espanhol.

A região metropolitana de Paris é chamada de Île de France e é dividida em regiões chamadas de zonas, sendo Paris a zona 1, o perímetro em volta é a zona 2, é assim sucessivamente até toda a Île de France, que é a Zona 5. É como se fosse um alvo, com a zona 1 no centro e as demais zonas em direção às bordas. Para ter noção de distância, o Aeroporto de Orly está ao sul da zona 4, e na zona 5 estão o Aeroporto Charles de Gaulle, ao norte, e a Disney Paris, ao leste. E o transporte tem muitas variações de opções e preços de acordo com essas zonas.

 

Bilhete

Os preços dos bilhetes são variados, muito variados.

O mais baixo é 1,90 Euros para trajeto dentro da zona 1. Mais viável por quem está dentro de Paris e vai usar pouco o transporte público. 10 bilhetes são vendidos por 14,90 Euros.

Uma opção muito boa para quem faz conexão pelo Aeroporto Charles de Gaulle e deseja aproveitar somente algumas horas em Paris é comprar o bilhete diário, com viagens ilimitadas, de acesso às zonas 1-5, por 17,80 Euros. Dá para sair do Aeroporto, ir para Paris, ir ao Arco, à Torre Eiffel, Sacré Cœur, e aonde mais o tempo permitir, e voltar para o Aeroporto com um único passe.

Tem uma modalidade chamada Paris Visite Travel Pass, custa 38,35€ (zonas 1-3) e 65,80€ (zonas 1-5), com transporte ilimitado por 5 dias, mas com o diferencial de dar descontos em alguns lugares, como Arco do Triunfo, Pantheon, Museu (de Cera) Grévin, Galerias Lafayette, Open Tour, entre outros. Se for aproveitar boa parte dos descontos, o ticket pode sair de graça.

De modo geral, o bilhete tem o inconveniente de ser facilmente perdido por ser pequeno. Assim, tem que ficar atento com cada bilhete que está sendo usado para não o perder nem o misturar com bilhetes velhos ou novos. Também, gasta-se um tempo considerável nas filas para comprá-los, que dependendo do dia e da estação, pode ser muito longo.

Não dá para deixar de mencionar, apesar de ser muito raro, mas pode acontecer, da máquina comer o bilhete e não devolvê-lo. Se isso ocorrer numa estação que não tem funcionário para ajudar, que é o mais provável, costuma ter um painel com um interfone que deve ser acionado para falar com alguém para liberar a catraca.

 

Navigo

É o queridinho!

É um cartão plástico, pessoal e individual, e deve ter uma foto do usuário, caso contrário pode gerar multa se for pego pelo fiscal.

Somente para aquisição do cartão paga-se 5 Euros. Tem o inconveniente de não ser retornável, como ocorre com o de Londres.

Quando com o cartão, tem-se algumas opções diferenciadas de habilitação para uso, as mais comuns para as zonas 1-5 são a semanal (22,80 Euros) e a mensal (75,20 Euros), pois dão direito a transporte ilimitado para a zona que foi habilitada.

A opção diária também pode ser disponibilizada, mas custa 17,80 Euros. Financeiramente pode não valer à pena, uma vez que dois dias fica mais caro que um semanal mais o preço do cartão.

O cartão é sempre o mesmo! Simplesmente pode ser habilitado sucessivamente de formas diferentes de acordo com a conveniência de cada usuário.

Para quem vai fazer estadias longas, vale muito à pena optar pelo Navigo anual, pois ganha-se um mês por ano.

No mais, a opção mensal só vale para dentro de cada mês. Sempre do dia primeiro ao último dia. Começa a ser habilitado a partir do dia 20 do mês anterior.

Já o semanal vale de segunda a domingo e começa a ser habilitado nas sextas.

Amorecos na Zoropa
máquina de auto atendimento para compra de bilhete e recarga do cartão
Amorecos na Zoropa
máquina de auto atendimento para tirar foto

Vale ressaltar que se o passe é para uma zona, o usuário consegue entrar em qualquer estação dessa zona, mas não conseguirá sair em outra zona que não esteja habilitado se por acaso precisar. A catraca ficará travada. E vice-versa! Não é permitido a entrada em uma estação fora da zona habilitada no passe, na prática se presencia isso, diariamente! Pessoas lutando com passe que não abre a catraca.

Contudo, o passe do cartão Navigo das zonas 1-5, costuma valer por muito mais além que somente dentro da zona 5, deixando ter acesso (ida e volta) a alguns trens que saem dessa área, e até mesmo ônibus utilizados muito muito além. Apesar de não haver indicação disso no metrô de Île de France, a prática é legal e não multada. Por exemplo, com o Navigo pode-se ir até Chantilly, que está há mais de 20km ao norte do Aeroporto Charles de Gaulle, que por sua vez é o último ponto ao norte da zona 5.

Orlyval é a linha que liga o Aeroporto de Orly a 5 diferentes pontos na Île de France, e ela sempre tem que ser paga à parte, com valor variado dependo da distância do ponto e o Aeroporto.

 

No metrô

É muito fácil para o brasileiro, principalmente aquele que não entende o francês, cometer algumas “infrações” no metrô. Para evitar constrangimentos e perda de “eurinhos” valiosos, não passe em sentido contrário se uma catraca estiver estragada ou quebrada. E cuidado com a sinalização do lugar! Apesar de serem poucas as estações que têm indicação de sentido único, ele deve ser respeitado.

Se alguém está fazendo algo não quer dizer que é permitido, como fumar nas estações ou levar bicicleta para dentro do metrô.

Principalmente, de forma alguma esqueça objetos no metrô! Pode dar multa e muita dor de cabeça! Paris está em estado de alerta por causa dos últimos atentados e quando um objeto é encontrado, há uma grande chance de a estação ser fechada e o esquadrão antibomba ser acionado.

 

A linha 1 é a linha do turismo dentro de Paris, cortando a cidade de leste a oeste. Ela passa pelo Arco do Triunfo e pelo Louvre, entre outros pontos, mas não na Catedral de Notre Dame e nem na Torre Eiffel.

Os nomes das estações costumam fazer referência a algo nas proximidades.

Geralmente quase toda estação tem mais de uma porta, chamadas em francês de “sortie” (saída), apesar de poder ser saída e entrada. Porém, algumas estações são monstruosas e tem muitas portas, muitas vezes a quilômetro de distância uma da outra. Então, se não quer ter estresse gratuito, não marque encontro nas estações e não use uma estação como referência. A estação de Saint-Michel – Notre Dame por exemplo, entre muitas de suas portas, duas delas são perto da Catedral (sendo uma só saída, se quiser entrar tem que ir para outra porta), outra é perto da Fonte Saint-Michel (a dois quarteirões, do outro lado do Rio Sena) e outra é perto do Museu de Cluny, a uns 700 metro de Notre Dame! Sem vestígio da Catedral nas proximidades!

Amorecos na Zoropa
Estação de Luxemburgo vista de cima
Amorecos na Zoropa
catraca
Amorecos na Zoropa
detalhe da catraca com lugar para inserir o bilhete ou encostar o Navigo
Amorecos na Zoropa
placa de indicação de fluxo, linhas e direções na estação de Chatelet – Les Halles
Amorecos na Zoropa
painel com indicação de paradas que o próximo metrô irá fazer
Amorecos na Zoropa
painel acima das portas, dentro dos vagões do metrôs

Gostaríamos de concluir o tópico metrô de Paris com algo mais positivo, mas, infelizmente, não dá para deixar de falar algo ruim: há uma chance gigantesca de você ficar perdido no metrô. Porque as estações são imensas; cada uma é de um jeito; as portas dos vagões podem abrir de lados diferentes num mesmo sentido, dependendo da estação; a sinalização pode estar desatualizada; sempre há obras e às vezes tem que passar por uma plataforma para chegar à outra ou uma saída!!!

Se isso ocorrer, fica frio! Se está dentro de um vagão, olhe o painel acima da porta, onde indica as estações onde esta linha tem paradas, procure a estação que há ligação com a linha que você deseja ir e desça nela. Mais informação num post completo no futuro, por que esse tema vai render bastante.

 

Trens de alta velocidade

Para finalizar o tema do transporte coletivo, vale citar os trens de alta velocidade que ligam Paris a lugares mais distantes em todos os sentidos, inclusive outras cidades de outros países como Londres, Amsterdã e Lisboa. Pode-se viajar por toda a Europa por meio de trens. A característica deles é um trajeto relativamente rápido apesar da distância entre os pontos, não tendo ou quase não tendo escalas.

Costumam ter uma relação custo X benefício X tempo bem mais atrativa que avião.

Na França também há umas estações chamadas TGV que são espécies de ferroviárias, com linhas mais específicas, atendendo pontos mais distantes.

 

Taxi e Uber

Esses dois também são ofertados. Mas os preços não são baratos e pode gastar bastante tempo agarrado no trânsito, dependendo para onde vai.

Qualquer trecho em Paris de metrô é mais rápido que qualquer veículo automotor de superfície, em quase todos os horários.

Os taxistas podem não aceitar transportar passageiros no banco da frente. Muitos deles estão adaptados para não transportar nada nesse banco. Então, pode não ficar viável para mais de 3 pessoas.

As poucas vezes que os Amorecos utilizaram um e outro foi bem tranquilo, bons motoristas com carros muito bons e confortáveis. Vale mencionar que quando chegamos e não falávamos quase nada de francês, ambos foram muito úteis, com motorista que se esforçaram bastante para comunicar e nós entender.

 

Transportes alternativos

As outras opções são carro de aluguel, inclusive de autoatendimento e elétrico, bicicletas, patinetes, trenzinho de Montmartre, entre outras.

 

No mais, esperamos ter ajudado. Se não, seguem alguns links de sites oficiais franceses que trazem mais informação e que vale muito à pena ser amplamente analisados porque há até opções de transporte gratuito e tarifas reduzidas para algumas categorias, tipo para estudante, e por idade, por exemplo:

Site de uma das empresas que gerência o transporte público na França, com horários, tráfico, informações práticas e gerais, preços, guias para download… (também em português):

https://www.ratp.fr/en/visite-paris/do-brasil/visitando-paris-e-seus-arredores

Valores e categorias de Navigo e bilhetes (em francês e inglês):

http://www.navigo.fr/je-choisis-mon-forfait/tous-les-titres-de-transport/

Trechos além da Île de Frances cobertos pelo Navigo (em francês e inglês):

https://www.vianavigo.com/accueil

Sobre o Paris Visite Travel Pass:

https://www.ratp.fr/en/titres-et-tarifs/paris-visite-travel-pass

Orlyval (em francês):

https://www.orlyval.com/

 

Qualquer dúvida, estamos aqui!

Abraço dos Amorecos!

Amorecos na Zoropa
Amorecos no Metrô

 

Próximo e último texto dessa série:

Paris: como economizar com comida

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Cadeados do amor em Paris– não desperdice o seu!

Os cadeados do amor são muito populares em Paris e já até foram tema de uma comédia romântica hollywoodiana de 2017, chamada Love Locks (Cadeado do Amor).

Os Amorecos já escreveram anteriormente sobre os Cadeados do amor e do ato dos casais trancá-los nas pontes e lançar a chave ao rio na esperança que o relacionamento dure.

Porém, o amor pode até durar, mas com certeza o cadeado não! Pelo menos não em Paris…

A tradição romântica não é bem aceita pelo governo francês, que tem removido os cadeados e tomado providencias severas para evitar que novos sejam colocados nas pontes.

Primeiro ocorreu na Pont des Arts, quando suas grades foram trocadas por vidros impossibilitando a fixação dos cadeados.

Amorecos na Zoropa
Atual visual da Pont des Arts com vidros nas laterais.

Atualmente a Pont Neuf teve suas grades removidas com suas muitas toneladas de cadeados que eram visto de longe (foto do título). E no lugar encontram-se painéis inteiriços, indicando que logo logo a Ponte ganhará algo semelhante à outra.

Amorecos na Zoropa
Atual visual da Pont Neuf, com painéis substituindo as grades
Amorecos na Zoropa
detalhe dos painéis

A justificativa é que os cadeados acumulam e pesam e pode abalar as estruturas das pontes, além de enferrujar e estragar os monumentos.

Amorecos na Zoropa
cadeado enferrujando trancado a monumento

Como foi dito no post anterior, os cadeados têm surgido e acumulado em vários lugares de Paris, não necessariamente somente nas pontes, e periodicamente, mais cedo ou mais tarde, eles são sempre removidos.

Os Amorecos, particularmente falando, gostavam bastante de tirar fotos perto dos cadeados dourados e reluzentes, pois sempre ficavam bonitas, tanto no inverno como no verão.

Amorecos na Zoropa
Amoreca Alê em uma das muitas fotos tiradas na Pont Neuf com os cadeados ao fundo

Então, pombinhos apaixonados que estão doidos para fazer algo romântico em Paris, talvez seja mais coerente fazer qualquer coisa menos colocar cadeado em um monumento…

Quem sabe um passeio de barco ou um piquenique às margens do Rio Sena.

Segundo vídeo já está no canal do Amorecos na Zoropa!!!

O segundo vídeo do canal dos Amorecos é sobre os dias mais longos que as noites no verão da Zoropa.

Ele completa o post sobre solstício aqui do blog:

Por que em Paris já são quase 22:30h e ainda tem luz do Sol!?

 

 

Esperamos que gostem!

Paris: gratuidade, preços e como esticar o dinheiro e o tempo

Este é o segundo post de uma série de 4 artigos sobre o que eu desejaria já estar sabendo ao chegar na França

Pode soar pessoal, mas garanto que não é tão pessoal assim…

O primeiro tópico foi Paris: Generalidades – o que é bom saber antes de embarcar.

Então, vamos logo ao segundo texto:

 

Paris: gratuidade, preços e como esticar o dinheiro e o tempo

 

Paris é uma cidade cara e inevitavelmente quem está nela acaba gastando mais do que esperava, mesmo sem entrar em uma única loja, e acaba tendo que sacrificar algo, quase sempre um passeio…

Apesar da maioria dos preços dos pontos turísticos não serem exorbitantes, serem até bem justos, principalmente comparados com outros lugares semelhantes do mundo, mas podem se tornar muito representativos se somados, uma vez que há muita coisa muito interessante para se fazer na Cidade.

Para que a diversão não fique comprometida por causa de grana, seguem algumas dicas de como esticar o “dindim”. E como tempo é dinheiro, seguem algumas dicas de como tentar ganhar um pouco de tempo também.

Essa publicação não tem a intenção de ser exaustiva principalmente porque a lista de atrações é muito enorme e há muitas variáveis para a entrada grátis em cada uma delas.

De modo geral, na maioria dos lugares há gratuidade parcial ou total por idade, para cadeirantes (e um acompanhante), para algumas categorias (estudantes, profissionais de artes ou pessoa de nacionalidade da União Europeia por exemplo) …

De qualquer forma é sempre muito bom ficar atento ao primeiro domingo de cada mês quando há muitas opções de gratuidade para todos em quase todos os pontos turísticos e museus que normalmente são pagos. Também têm alguns prédios que são gratuitos todos os dias durante todo o ano, e infelizmente em uns poucos outros não há gratuidade alguma em nenhuma época, talvez somente na Noite Europeia dos Museus, que ocorre uma única vez por ano, e tem a pior relação custo X perda de tempo de todas…

Mas como a Cidade toda é um museu a céu aberto, há uma infinidade de coisas para serem vista totalmente grátis, como praças, igrejas, parques e jardins. E quase sempre elas são muito perto umas das outras. Por isso um planejamento detalhado por setor pode fazer com que muito tempo não seja perdido com deslocamento.

Também, fique esperto porque muitas agências e sites cobram bem mais por ingressos que o preço normal oferecendo algo benefícios que o próprio ponto turístico já oferece. Então, sempre olhe o preço dos bilhetes nos sites oficiais, que também podem oferecer bilhetes com horário marcado e, desse modo, não se perde tempo nas longas filas para comprar o ingresso nem para entrar no lugar.

Ficar de olho nos horários de funcionamento também é uma boa, pois cada lugar tem horário específico, e que pode variar durante o ano, e ser bem surpreendente. E ainda, não abrir em alguma data específica ou feriado.

 

Principais pontos turísticos:

Catedral de Notre Dame

Amorecos na Zoropa
Interior da Catedral de Notre a Dame de Paris

O acesso à área exterior e à entrada são gratuitos e abre muito cedo! Às 7:45. Quanto mais cedo, mais vazio é e não tem fila, o que é muito bom porque pode-se gastar facilmente uma hora na fila para conseguir entrar. Ainda, ela estando mais vazia a visita é mais prazerosa e rápida.

A fachada da frente é pública e iluminada é pode ser vista durante toda a noite.

Dentro da Catedral há uma seção paga chamada de Tesouro com um pequeno acervo com algumas relíquias religiosas, como vestes, obras e objetos diversos.

Para subir até a torre, perto das gárgulas, paga-se à parte. O número de pessoas é controlado e demora-se bastante, mas tem ingresso pelo site com horário marcado. A entrada é na lateral esquerda pela rua.

Também faz parte de Notre Dame uma seção chamada Cripta, que também é cobrada à parte.

Museu do Louvre

Amorecos na Zoropa
Pirâmide Invertida

A área externa do Louvre é pública e de acesso gratuito, mas perto da Grande Pirâmide é fechada à noite, em horários variados dependendo do dia, em dias de eventos no Museu, bem mais cedo. Contudo o Arco do Triunfo do Louvre e o Jardim das Tulherias ainda podem ser visitados até mais tarde.

Pouca gente sabe que as entradas abaixo da Grande Pirâmide, ao Carroussel du Louvre e à Pirâmide Invertida são gratuitas.

Para ir abaixo da Grande Pirâmide basta pegar a fila à sua frente e passar pela segurança, somente lá embaixo, se for entrar propriamente no Museu que é cobrado o ingresso.

A Pirâmide Invertida fica dentro do Carroussel (que é um centro comercial com lojas de suvenires, grifes caras e área de alimentação), e é o muito rápido de chegar até ela. São três entradas para o Carroussel: uma do lado do Arco do Triunfo do Louvre, a mais rápida (uma escada descendo que quase passa despercebida); outra via metrô (estação Palais Royal – Musée du Louvre); e a principal é pelo número 99 da rua Rivoli.

A entrada do Museu custa 17 Euros no site oficial e na bilheteria do local! Vale para todo o dia e dá direito a sair e a voltar e mais a entrada no pequeno Museu Delacroix (no mesmo dia). Funciona das 09:00 às 18:00 horas, e até as 21 horas nas quartas e sextas, mas nem todas as alas abrem nesses dias, e não abre nas terças. A entrada principal é pela Grande Pirâmide, mas também pode ser feita pelo Carroussel du Louvre. Mas em ambas a fila é longa e demorada. Chegar cedo não adianta quase nada! Sempre tem fila…

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Quem compra o bilhete pelo site tem a opção de pegar com horário marcado e entrar pela portaria preferencial no pavilhão Richelieu, com pouquíssima ou nenhuma fila, mas o horário escolhido tem que ser respeitado.

Dependo do número de dias, de repente fica mais em conta fazer a carteirinha.

Até mesmo porque o Louvre demanda várias visitas. E também, além da carteirinha dar direito a entrada no Louvre por um ano, também dá descontos em outros museus, até no Palácio de Versailles.

Nos meses de baixa temporada (outubro a março) a entrada é gratuita no primeiro domingo de cada mês. E as filas costumam até a andar mais rápido nestes dias porque o fluxo fica mais rápido, apesar de ficar bastante cheio.

 

Arco do Triunfo

Amorecos na Zoropa
Arco do Triunfo

A entrada é via subterrâneo, geralmente a fila anda rápido. A visita costuma ser rápida também. O ingresso dá direito à subida ao topo. É gratuito no primeiro domingo de cada mês nos meses de novembro a março.

O único problema com a visita ao topo do Arco é que somente pode ser feita via escada, que é em espiral, com quase 300 degraus, totalmente claustrofóbica e sem ventilação. Cansativa, algumas pessoas acabam desistindo, pode te deixar sem energia para outros programas.

Por outro lado, tem a vantagem de fechar às 23:00 horas no verão. E um pouco mais cedo no inverno.

Amorecos na Zoropa
escadaria do Arco do Triunfo

Torre Eiffel

Providências estão sendo tomadas para acelerar a entrada, em agosto já deve estar mais rápido.

O acesso à base da Eiffel é gratuito e a fila costuma não demorar tanto, uns 30-45 minutos quando está grande, ou bem menos dependo da hora e do dia.

Amorecos na Zoropa
Base da Torre Eiffel

Mas se deseja subir, pode-se demorar umas 4 horas ou mais na fila somente para conseguir começar, mas pode ficar o tempo que desejar lá em cima.

Gratuidade somente para crianças de até 4 anos, e algumas poucas opções de redução no valor do ticket, mas há preços variados.

O menor é 10 Euros sem direito ao topo e elevador, a subida é a pé, via escadas e só pode ser comprado no local (uma fila para passar pela segurança e outra para comprar).

O mais caro custa 25 Euros, para todos os patamares, via elevador; sem fila, com horário marcado, via site.

Toda a redondeza perto da Torre é pública.

Fica aberta até bem tarde da noite.

Pode ser fechada por causa de mal tempo.

 

Disney

A Disney Paris tem preços muito salgados, inclusive para as crianças, mas de janeiro a março os ingressos são bem mais atrativos, mas neste período algumas atrações são fechadas.

Também, se o número de dias visitados passar de 3, vale à pena fazer o passe anual.

Detalhe: visitas noturnas nesses lugares badalados são muito tranquilas porque têm vigilância constante.

 

O Museu Petit Palais é gratuito todos os dias.

Agora, se você tiver a oportunidade de passar um começo de mês em Paris, recomendo um dos quatro roteiros, ou variações deles, com entradas gratuitas no primeiro domingo dos seguintes meses:

 

Roteiro 1:

Museu de Orsay (todos os meses) e Museu Rodin (outubro a março)

São relativamente perto um do outro. No primeiro a fila é longa e se gasta mais de uma hora só nela, mas vale muito à pena, o Museu é muito grande e pode facilmente ficar o dia todo nele, no segundo não há fila mesmo nos dias de gratuidade e ele é menor e a visita é mais rápida.

 

Roteiro 2:

Sainte Chapelle, Conciergerie, Pantheon e Arco do Triunfo (todos de novembro a março)

Sainte Chapelle é uma pequena igreja nas proximidades de Notre Dame, e por estar no centro de Paris sempre há fila, mas que anda muito rápido e a visita também é rápida, mas por ser muito bonita vale à pena ser visitada.

Amorecos na Zoropa
Sainte Chapelle

Conciergerie é uma antiga prisão, quase agarrada na Sainte Chapelle. Fica cheio, mas a fila anda rápido.

O Pantheon pode ter ou não fila para entrar dependendo do horário. A visita pode se estender ou não dependendo do grau de interesse do visitante, mas como o prédio não é tão pequeno, pelo menos uma hora se gasta lá somente no interior.

Amorecos na Zoropa
Pantheon

Deixe por último o Arco do Triunfo para poder ter a chance de ver Paris de cima à noite. Provavelmente terá fila para entrar, mas como ele fica aberto até bem tarde, então, terá bastante tempo.

Se começar cedo, dá para incluir neste roteiro a Basílica de Saint Denis (novembro a março) antes do Arco. Fica cansativo, mas dá para fazer sem muita correria, aproveitando os 5 monumentos.

Roteiro 3:

Museu de Artes e Ofícios (Musée des Arts et Métiers) (todo o ano) (toda quinta feira das 18h às 21h30) e Catedral Basílica de Saint Denis (Cathédrale royale de Saint-Denis) (novembro a março)

O primeiro é muito grande e com vários andares, mas muito interessante, gasta-se facilmente um dia por lá, mas tem a praticidade de não haver fila mesmo nos dias de gratuidade. Já Saint Denis fica mais distante do Centro de Paris, mas merece ser visita pois é a igreja mais atípica, contendo uma seção com as tumbas dos imperadores franceses, se não gosta e tumbas de qualquer jeito, vá à igreja qualquer dia porque o restante dela é totalmente gratuito.

 

Roteiro 4:

Jardins e Château de Versailles (novembro a março)

Versalles é um lugar que merece muita ponderação porque somente é gratuito no primeiro domingo dos meses de baixa temporada, ou seja: inverno, ou seja: muito frio e fontes desligadas. Também fica a aproximadamente uma hora de distância de Paris via metrô, ou seja: perde-se mais de 2 horas só em deslocamento.

Se há muita vontade de ir lá, é interessante aproveitar a gratuidade porque nos dias pagos são cobradas três visitas separadamente: o castelo, o jardim e o Trianon. Mas Versailles é legal mesmo é no verão…

 

Indo um pouco mais além…

As Catacumbas de Paris

Este é um programa que tem que ser muito bem avaliado devido a relação custo X benefício X tempo, porque o preço não é barato (quase o preço do Louvre), e nunca gratuito, a fila é gigante e demora demais, porque o acesso é por número limitado de pessoas, há muita escada para descer ao entrar e obviamente para subir ao sair.

A dica para furar a fila e ganhar muito tempo é optar pelo passeio com o áudio guia.

 

Paris Museum Pass

A última ponderação é sobre o cartão Paris Museum Pass: ele dá direito à entrada em vários monumentos e museus. Tem as opções para 2, 4 ou 6 dias, pelos valores de 48, 62 e 74 Euros respectivamente. Ele é muito popular entre os turistas, mas um cálculo muito bem feito deve ser realizado porque pode-se sacrificar qualidade de visita por quantidade de lugares visitados, gerar  muito cansaço e estresse e perda de tempo com deslocamento.

E a última dica sobre lugares é procurar por descontos em passeios de barco, ônibus turísticos e o que mais vc deseja fazer.

Sites costumam ofertar e também perguntar nos hotéis e outros estabelecimentos por propagandas e cartões promocionais que dão desconto.

 

Transporte

Metro é o meio mais barato de se locomover na França. Há algumas modalidades de tickts e um cartão (Navego). Detalhes no próximo post.

 

Desculpem os Amorecos pelo texto longo, mas lido com calma antes da viagem, ele pode te fazer economizar muitos “eurinhos” e tempo preciso em sua visita à Paris.

 

Resumindo: programe-se e sempre consulte o site oficial dos monumentos para saber dias de funcionamento, horários, preços e, principalmente opções de gratuidade e redução de preços.

 

Bjos dos Amorcos!

 

Próximos textos dessa série:

Paris: transporte – como se deslocar sem medo

Paris: como economizar com comida

Por que em Paris já são quase 22:30h e ainda tem luz do Sol!?

Quem está vindo para a Europa, ou a maioria dos país do hemisfério norte, nos meses de abril, maio, junho, julho e agosto depara-se com dias extremamente longos e noites muito curtas.

Mas isso é bom ou ruim para o brasileiro que vem à Europa?

Porém, antes de respondermos essa pergunta, primeiramente vamos saber porque isso acontece.

O fenômeno ocorre devido a inclinação da Terra e o trajeto da órbita elíptica que o Planeta percorre em torno do Sol, que faz com que as regiões acima do Trópico de Câncer recebam luz solar por mais tempo acarretando dias mais longos, na primavera e no verão . Enquanto as regiões abaixo do Trópico de Capricórnio ficam com noites mais longas, no outono e no inverno.

No dia 21 de junho foi o ápice desse fenômeno em 2018, chamado de Solstício de Verão no hemisfério norte, quando o dia teve duração de aproximadamente 16 horas e a noite somente 8 horas. No hemisfério sul é chamado de Solstício de Inverno, quando há dia curto e noite longa.

A cada dia essa diferença diminui gradativamente. Por mês ela diminuiu um total de uma hora.  Em 23 de setembro (em 2018) tem-se o equinócio (de primavera no norte e outono no sul), quando o dia e a noite têm a mesma duração (em ambos os hemisférios), e a partir daí as noites começam a ficar mais longas e os dias mais curtos no norte e o oposto no sul. E novamente temos um ápice em 21 de dezembro (em 2018) quando a noite fica com aproximadamente umas 16 horas e o dia somente com 8 horas, e é a vez do norte ter seu equinócio de inverno e o sul o equinócio de verão.

Como a maior parte do território brasileiro está entre esses dois Trópicos, o fenômeno é quase imperceptível para quem está no Brasil. O que o deixa muito mais dramático para os brasileiros que estão no exterior.

O que nos leva à pergunta original, para o brasileiro que pega os dias longos durante suas viagens, isso é bom ou ruim?

De modo geral é ruim para o organismo humano porque é mais difícil ter sono e dormir normalmente com tanta luz até tão tarde. Quem já convive com isso em sua rotina diária e anual costuma tomar providências, como colocar blackout nas janelas para começar a relaxar num horário razoável e ter sono num horário normal.

Bem… Mas para o turista pode ser ser bom, muito bom ou ruim, ou muito ruim.

Lembrando que em países que adotaram o horário de verão, como a França por exemplo, há sol até depois 22 horas nas proximidades do solstício de verão.

Para quem chega desprevenido, quando se deixa orientar somente pela luz solar, pode tomar um susto e perder noção do tempo ficando até tarde na rua.

Ter dificuldade para dormir à noite é quase inevitável, principalmente para quem ainda está no horário brasileiro. E noite mal dormida pode comprometer muito a performance do dia seguinte.

Particularmente para quem deseja muito ver as luzes da Torre Eiffel e gosta de deitar cedo terá que fazer um esforço extra porque elas são ligadas somente quando começa a escurecer, ou seja, somente por volta das 22 horas em junho e julho. E desse modo, todo ponto turístico que tem luzes como atração ficam prejudicados.

Um outro fator que pode ser negativo para alguns é que as ruas de cidades turísticas ficam com muita multidão até bem tarde.

Contudo, o principal problema é o sol forte e tudo que ele pode acarretar, numa área urbana, com roupa que não seja de banho.

Particularmente falando, cada vez mais os Amorecos têm experiências que mostram que os dias quentes não são muito aproveitados, gerando cansaço e fadiga muito facilmente, mesmo com cuidados excessivos com a hidratação e proteção com protetor solar, óculos e chapéu. Principalmente nas cidades turísticas, onde se anda muito.

Contudo, é muito bom ter dias super longos propiciando mais horas de luz para passeios, o que pode tornar os dias extremamente proveitosos para aqueles que são mais tolerantes ao sol forte.

Também, muitas atrações são planejadas para aproveitar ao máximo o período de luz natural, algumas áreas verdes ficam abertas até pouco mais tarde, e o parque da Disney Paris fica aberto até muuuuito mais tarde, fechando somente às 23h, além de abrir bem mais cedo que no período de inverno.

Então fica a dica dos Amorecos: viajar no verão para o exterior pode ser mais proveitoso por causa dos dias mais longos! Mas traga óculos, chapéu, boné, protetor solar, camisa UV e ande com garrafa d’água, porque o sol da Zoropa não é brincadeira.

Amorecos na Zoropa
dia 21/06, às 19:40
Amorecos na Zoropa
dia 21/06, às 20:40
Amorecos na Zoropa
Dia 19/05/2018, às 22h. Neste dia as luzes da Torre foram acessas depois das 21h e piscaram pela primeira vez às 22 horas.