Primeiras impressões sobre a França

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boubou (vestido masculino)

Nestes primeiros dias, quando tivemos a oportunidade de conhecer rapidamente as regiões de Antony e Paris, a primeira impressão, baseada nos tipos de roupas vistos nas ruas, é que aqui na França há pessoas do mundo todo!

Africanas com turbantes coloridos, mulheres árabes com lenços cobrindo toda a cabeça são vistas constantemente. Aos poucos, homens africanos com chapeuzinhos e vestes que lembram vestidos também circulam com alguma frequência. Burcas são pouco comuns, mas esporadicamente aparecem. Contudo, os homens árabes não se destacam tão facilmente, uma vez que não usam trajes e adereços típicos.

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Icharb (lenço / echarpe)

Apesar de o pessoal exótico destacar-se, a grande maioria veste-se de modo que pode ser chamado de genérico e confortável, com jeans, vestidos, casacos, tênis, botas, sapatilhas e sandálias, tanto em Antony, quanto em Paris.

Então, não se preocupe! Paris pode ser chamada de uma das quatro capitais da moda, mas qualquer tipo de roupa que você usar aqui, você estará bem.

Essa sensação de pluralidade é afirmada, num segundo momento, quando se começa a prestar atenção nas muitas línguas faladas nas ruas, pois, apesar de muitas soarem estranhas e indistinguíveis ao ouvido do brasileiro, o inglês, o espanhol e o português são amplamente presenciados em Paris.

A segunda impressão é que há uma imensa preocupação com o verde.

As áreas verdes ligam-se umas às outras, mesmo em espaços urbanos, sejam por imensos parques, praças e quarteirões inteiros, como pequenos canteiros públicos, jardins residenciais, tetos e paredes de imóveis, sacadas de prédios ou vasinhos nas janelas. Onde se vê de tudo, de flores com tamanhos e coloridos mais diversos, até árvores gigantescas.

A terceira coisa observada é decorrência da primeira: obviamente, num lugar multilingual, pessoas que falam línguas diferentes também têm que se comunicarem entre si, e desse modo, há um esforço generalizado de comunicação, em qualquer língua, não somente em francês.

Quando ocorre de você não dominar o idioma francês, a situação mais comum é de o falante de francês tentar o inglês, contudo, em várias situações encontramos portugueses e brasileiros trabalhando aqui, e uma terceira opção, não tão comum, o espanhol é sugerido.

Ou seja, se você ouviu que na França só se fala francês, bem, está informação pode não se referir ao contexto atual. Principalmente quando se trata de pontos turísticos e restaurantes, onde folhetos e cardápios são ofertados em várias línguas.

A quarta impressão é que as pessoas aqui são extremamente gentis. Obviamente há uma exceção ou outra, mas de modo geral as pessoas sempre recebem umas as outras como um bonjour caloroso e com um largo sorriso no rosto, por qualquer um, em quase todas as situações. Também, entre outras coisas, essa sensação é afirmada numa vontade aparentemente genuína de colaboração com o próximo, demonstrada pelos franceses e estrangeiros que vivem aqui.

A quinta impressão é que na França tudo é longe e se deve andar muito ou ter um carro. Realmente longas distâncias são deslocadas constantemente, mas esse tema merece uma abordagem mais detalhada, assim sendo, será abordado numa postagem futura, e a sexta impressão, que também ganhará um post único, é que o metrô da França é excelente, mas muito complexo.

A sétima e última impressão, observada logo nas primeiras horas estando na França, é que aqui tudo é feito com qualidade e para durar. Sejam as coisas mais triviais como o sistema de distribuição de rede elétrica, as bocas de lobos, os pontos de ônibus, as lixeiras ou as estações de metrô.

O que só me resta concluir este post com uma frase: COPIA BRASIL!

ps: todas as fotos desta postagem foram tiradas num período de tempo inferior há 10 minutos.

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Primeiros dias

A viagem de avião foi um massacre; ainda bem que não pegamos uma das opções de mais de 30 horas, passando pelos Estados Unidos. Vale à pena mencionar que o avião da TAP de Belo Horizonte para Lisboa é horrível em todos sentidos, e não tem tomadas. Não recomendo.

A imigração no aeroporto de Lisboa foi uma fila longa que, de início, foi atendida por um único funcionário. À medida que esperamos na fila, mais funcionários começaram a atender, e a fila começou a andar mais rápido.

Depois da imigração, uma pausa para café; fomos ao nosso primeiro Starbucks:

Nesse mundo de carbs, ficamos só no café… que não vale o preço.

Tinha umas poltronas bem confortáveis para esperar a conexão; mas não tinha tomadas no aeroporto também. Já em modo de economizar bateria de celular, não tiramos mais fotos.

Outra queixa da TAP: na página deles, eles falavam claramente que brasileiros indo para a Europa podiam carregar, cada um, duas malas de 32 kg para despachar, mais uma mala de bordo de até 8 kg, e uma bolsa ou mochila, consideradas bagagem de mão. Na hora de embarcar na conexão de Lisboa para Paris, eles só queriam deixar ou a mala ou a mochila na cabine. Como que a nossas malinhas tinham coisas que não davam para despachar de forma alguma, como computadores. Então, esvaziamos elas completamente, transferindo tudo para as mochilas e despachamos duas malas vazias. Pouco antes de decolar, eles trouxeram nossas malas vazias de volta para a cabine porque tinha espaço, então tentamos colocar tudo de volta nelas, mas na pressa acabou ficando coisas de fora que carregamos nas mãos. Ou seja, aumentou o volume de tudo que a gente levava.

No aeroporto de Orly, uma surpresa: o aeroporto estava fechado devido a um alerta de terror, e soldados com rifles impediam a saída. Com telefones quase sem bateria, e câmeras em algum lugar no meio da bagagem, não deu para tirar fotos. Depois de uns 45 minutos, o aeroporto foi liberado. Fora do aeroporto estava frio: 6°C ao meio dia. Ficamos sabendo depois que não costuma ser frio assim nessa época do ano, e que nós chegamos com o frio…

Entramos numa fila enorme para pegar taxi: o nosso hotel, o Ibis Style, fica em Antonypole, Antony. Antony fica na região 3 de Paris, de modo que tivemos que pegar um “Taxi Parisien”; se estivéssemos na região 4 ou 5, seria um “Taxi Banlieue”, que quase não tinha fila.  Ficar na fila foi interessante; tinha um francês nativo perto da gente que xingava os taxistas sempre que eles paravam bloqueando a pista :-).

Tivemos que esperar um pouco para arrumar um táxi grande o suficiente para carregar todas nossas malas; o taxista parecia que ia morrer depois de coloca-las no carro; e depois da freeway, parecia que ia morrer novamente para tirá-las.

O Ibis Style é um hotel bem medíocre, para falar a verdade, especialmente dado o preço. No quarto não tem fogão, forno ou microondas; não tem lavanderia, não tem freezer, não tem nada. Só um quartinho com TV e um banheiro. E entre duas freeways.

Se tivéssemos conseguido vaga, o Ibis Budget teria sido melhor e mais barato.

Com os celulares carregados e com mapas do Google Maps offline baixados, partimos, por indicação do funcionário do Hotel, em direção ao Cora, Massy; nossos objetivos: comida e cartão SIM. Pegamos o ônibus 319, descemos perto do Cora, e fomos explorar. O Cora, em si, é um supermercado bem grande que fica em um shopping com diversas lojas. Nosso erro foi esquecer de levar nossos passaportes… e eles não quiseram vender cartões SIM só com as fotos que tínhamos deles. Comemos um sushi muito doce, mas na fome que estávamos, era melhor que nada: tudo mais estava fechado ou fechando.

Na volta, uma surpresa desagradável: neste trajeto, o ônibus 319 tem um”ponto final” intermediário. Você tem que descer dele, pegar outro ônibus até o próximo ponto, descer, e pegar o próximo 319. O Google Maps não indica isso; mas para falar a verdade, nenhum dos outros aplicativos franceses de transporte fala isso.

Assim terminou nosso primeiro dia na França: muito cansados, nada funcionando como queríamos e com a sensação que entramos numa roubada.

O segundo dia começou com outra surpresa desagradável: acordamos tarde demais para tomar café da manhã. Comemos umas frutinhas e castanhas que havíamos comprado no Cora e decidimos ir a Paris. Objetivos: cartão SIM, passear, e visitar uma loja da Uniqlo para comprar uma roupa de frio boa para a Alexsandra, porque o frio estava de lascar. Primeiro passo era ir até uma estação de metrô para comprar cartões Navigo para gastar menos com transporte.

Saímos andando, meio que seguindo o Google Maps, em direção à estação Les Baconets, em Antony. Em retrospecto, foi pura sorte termos ido para lá: a Gare de Fontaine-Michalon era mais próxima do hotel, mas é muito menor que a Les Baconets (que já é pequena), e o funcionário que encontramos lá foi muito prestativo. Para comprar os cartões Navigo, precisamos tirar foto — mas tinha onde na estação, 5 fotos tamanho passaporte por 5€. Conseguimos nossos cartões Navigo, mas tem um detalhe (que já sabíamos): um cartão Navigo carregado na sexta só vale para a próxima semana (a partir de segunda), e um Navigo mensal carregado após o dia 20 só vale a partir do próximo mês. Assim, os nossos cartões novinhos eram só decorativos. Tentamos comprar tickets t+, mas eles só valem para a região 1 de Paris — a região central — e só podem ser comprados lá.

Compramos nossos passes de metro para ir a Paris. Escolhemos descer na estação de Châtelet-Les Halles porque era próxima de uma Uniqlo. Descendo na estação, escutamos um cara explicando (em inglês) para um turista como usar o metrô; pedimos ajuda, e ele repetiu para nós. Caro parisiense anônimo, muito obrigado!

Saindo do metrô, demos de cara com uma Boutique Orange Télécom; não era minha primeira escolha (a Bouygues é mais barata), mas é uma sólida escolha. Depois de aguardar um pouco, saímos de lá com dois cartões SIM novos, e internet, finalmente.

Mas não era o fim de nossas surpresas: tem um shopping gigantesco em cima da estação, o Forum des Halles!

Lojas de roupa, de móveis, uma FNAC, etc. Por causa do horário, não exploramos muito: fomos direto para a Uniqlo para tentar pegar ela aberta. Depois de uma bela caminhada, compramos um casaco ultra leve para a Alexsandra, que aguentou muito bem o frio. Na volta, resolvemos explorar um pouco; acabamos caindo em um bar/restaurante pitoresco, onde comemos um sanduíches com fritas.

Com a fome saciada, percebemos que só tinham casais do mesmo sexo no bar, e diversos cartazes convidando para eventos sadomasoquistas; nosso primeiro bar gay…

De volta ao Forum des Halles, já quase nove da noite (mas ainda claro), esbarramos com uma loja da Lego. Ela já estava fechada, mas tiramos algumas fotos porque é muito interessante para deixar de ser registrada.

De volta ao hotel bem alimentados e bem sucedidos em tudo que fizemos, o segundo dia terminou muito melhor que o primeiro.